Opinião - Uma corrupta que se achava esperta demais

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Maria Ivani é acusada de chefiar o grupo criminoso que lesava a Prefeitura de Cacoal com ramificações da Câmara, envolvendo sete vereadores da cidade (divulgação)

Por Roberto Gutierrez* – A chefe de gabinete da Prefeitura de Cacoal, Maria Ivani Araújo, se achava muito esperta, mas, acabou traída pela própria vaidade: a de querer mostrar para um pedinte corrupto que é esperta demais. Não que a polícia Civil e o Ministério Público sejam os gênios da investigação, mas que a contadora de vantagens era burra de mais para imaginar que só telefone fixo, e-mail e celular poderiam ser gravados. Escutas em gabinete, na casa dela e até no carro, inclusive, na própria bolsa são possíveis de serem plantadas escutas pelo que foi observado quanto à qualidade das gravações. (Aliás, editadas dando origem à série.)


Falou demais e acabou se lascando pelo peso da própria língua. Até parece que estava em um confessionário! Aliás, ela deixou o padre Franco Vealetto (PT) em maus lençóis. Se fosse galo, seria um galeto que nada mais é que um franco assado ou cozido.  Como se trata de Vialeto, não tenho ideia que culinária possa resultar.

Agora o ministério público tem que tomar cuidado, pois, qualquer rebelião ou complicação de motim dentro da delegacia na qual esta senhora está presa, ela poderá desencarnar. Daí só se tiver um juiz médium para psicografar o depoimento. Ela falou demais, expos muita gente. Até mesmo inimigos políticos dos envolvidos podem mandar fazer o serviço só para bani-los de vez do sistema. Imagine então se surgir a informação que ela fará delação premiada!!!? Hollywood já revelou muitas tramas de teor idêntico.

Não se enganem: pessoas com Maria Ivani Araújo têm aos montes em administrações públicas pelo país a fora. São uma espécie de mal necessário para que a máquina administrativa funcione. Pessoas assim são o elo entre o poder e o submundo do poder. Sem esse tipo de gente, haverá sempre um abismo de interesses mal resolvido entre o Executivo, legislativo e até mesmo, em alguns casos, entre demais poderes constituídos.

Estamos vivendo na atualidade algumas votações importantes na Câmara federal para conseguir votação. Com isso governo tem que repartir cargos, prometer que vai liberar emendas – tudo muito natural. Imagine se existisse gravações dessas negociações?

O problema esbarra num tripé estranho: má índole, custo elevado para uma eleição e captação de dinheiro para financiar a conquista do voto. Do outro lado, a mãe da Hipocrisia – a Lei Eleitoral – permitindo os financiamentos de campanha por parte da iniciativa privada, dando a lei a entender que existe empresário que é a própria reencarnação da Madre Teresa de Calcutá para doar um milhão de reais e não pedir nada em troca.

Esta senhora, dona Maria Ivani Araújo, é fruto da hipocrisia eleitoral e da ambição intrínseca. Observem que o prefeito de Cacoal é um padre. Nem que fosse a reencarnação de um Deus, conseguiria se livrar das armadilhas do sistema, pois o submundo do poder existe para criar dificuldades e chantagear pelas facilidades. Isto porque a coisa pública gera um sentimento de que não pertence a ninguém. Se não é de ninguém, quem pegar primeiro é dono.

Existe uma matemática estranha: uma campanha eleitoral custa milhões de reais. Como gastar milhões para ganhar tostões?

As ferramentas tecnológicas e o amadurecimento de órgão reguladores têm facilitado as investigações e alguns flagrantes como esse da Mulher de Confiança de um Padre prefeito.

Entendam que não existe Papai Noel na Política. Entendam que nesse meio honestidade é algo relativo, pois, como já disse em outras oportunidades, Guerra, Política e Religião têm teor de comércio.

*O autor é jornalista na cidade de Ji-Paraná e colunista do site www.folhdaderondonianews.com.br

Postado por Denis Farias 

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