Vendedor de Cacoal investiu R$ 20 mil reais em extintores

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Decisão do Contran foi anunciada no dia 17 de setembro, após reunião. Levantamento mostra que algumas lojas estão vendendo 1 extintor por dia.

Uma semana após o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidir que o uso do extintor de incêndio ABC não é mais obrigatório em carros, caminhonetes, camionetas e triciclos de cabine fechada, as vendas dos extintores caíram cerca de 90% em Rondônia. Um levantamento feito pelo G1 em cinco cidades do estado mostrou que até o dia 17 de setembro algumas lojas chegavam a vender dez unidades por dia. Com o fim da obrigatoriedade, o número caiu para uma unidade, em média.

Vendedor de Cacoal investiu R$ 20 mil uma semana antes da decisão (Foto: Rogério Aderbal/ G1)

A queda nas vendas preocupa os donos de lojas de extintores, já que pedidos feitos há cerca de seis meses estão sendo entregues somente agora pelas fábricas. Sócio de um estabelecimento em Ariquemes (RO), no Vale do Jamari, Junior Silvestre diz estar esperando uma entrega de 500 unidades para a próxima semana.

"A compra foi feita há meses, pois no começo do ano as fábricas não davam conta da demanda. Agora está na transportadora. Após entregar, o estoque vai ficar cheio e parado aqui, pois os motoristas não estão mais procurando extintores", afirma.

Empresários temem que estoque de extintores aumentem com decisão (Foto: Jonatas Boni/ G1)

Junior conta que a loja se preparava para boas vendas, já que a partir de outubro o uso dos extintores ABC seria obrigatório para os carros. Porém, no último dia 17 de setembro o Contran decidiu pela suspensão da obrigatoriedade, visto que os veículos atuais possuem tecnologia com maior segurança contra incêndio e, além disso, o despreparo para o uso do extintor poderia causar mais perigo para os motoristas.

Investimento de R$ 20 mil

Em Cacoal (RO), o comerciante Paulo Portel, que trabalha no ramo de extintores há 25 anos, conta que uma semana antes da suspensão da obrigatoriedade do equipamento gastou cerca de R$ 20 mil em uma carga de 300 extintores ABC. Agora ele teme prejuízos. "O que eu vendia em uma semana agora vou levar mais de um ano para me desfazer. Por sorte, também trabalho com extintores para comércio, caso contrário estaria em dificuldades", revela.

Vendedor de Cacoal investiu R$ 20 mil uma semana antes da decisão (Foto: Rogério Aderbal/ G1)

Conforme o empresário, nos últimos meses a procura pelos extintores ABC cresceu cerca de 300%, fator que fez faltar o produto no mercado por diversas vezes. "No começo, como a indústria não estava preparada para atender uma demanda tão grande, enfrentamos muitas dificuldades para atender a população. Chegava uma carga numa semana e na outra já não tinha mais nada. Com a suspensão, muita gente ficou no prejuízo, pois investiu pesado para dá conta demanda e não terão para quem repassar o produto", diz.

Em Ji-Paraná (RO) os empresários do ramo já pensam no prejuízo a longo prazo. A gerente Marla Santos Raposo fez uma aquisição de cerca de R$ 15 mil pensando no comércio de final de ano. "Vendi menos que a metade. Paguei o que eu gastei, mas não obtive lucro e nem acho que vou ter. Continuo vendendo, mas bem menos que antes", afirma.

Demissões

Sócio de empresa diz que vende de uma a duas unidades por dia desde a decisão (Foto: Jonatas Boni/ G1)Em Guajará-Mirim (RO), a única loja que vende extintores teme demissões de funcionários por causa da queda nas vendas. De acordo com Luiz Ferreira, de 60 anos, na última semana nenhum extintor de incêndio para veículos foi vendido. “No auge das vendas, cheguei a vender 24 extintores por mês. Agora as vendas caíram consideravelmente e a tendência é diminuir ainda mais”, conta o comerciante.

Segundo a vendedora Luciana Campos, de 21 anos, a lei vai fazer com que várias empresas especializadas em vendas de extintores diminuam o quadro de funcionários, aumentando o índice de desempregos. "Tem muitas pessoas que  nem sequer sabem dessa lei, mas agora as vendas já não terão o mesmo percentual e isso vai afetar diretamente a economia do setor", diz a vendedora.

Queda no preço

Em Vilhena (RO), na região do Cone Sul, empresários do segmento também têm visto as vendas diminuírem depois que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) decidiu pela não obrigatoriedade dos extintores do modelo ABC. O equipamento, que chegou a ser vendido por R$ 150, hoje não passa de R$ 100, e mesmo assim continua sem saída.

Lojistas temem que estoque de extintores aumentem (Foto: Rogério Aderbal/ G1)O empresário Leodemar Fontana conta que há cerca de 50 dias recebeu uma carga de extintores, encomendada em setembro de 2014. Atualmente o comerciante dispõe de mais de 200 unidades. "Fiz os pedidos para suprir a demanda para o ano de 2015, quando a nova lei seria exigida, mas infelizmente fomos surpreendidos com esta mudança. Estamos com o estoque e devemos vender num prazo bem maior", comenta.

A situação atual dos empresários de Rondônia é bem diferente da que foi sentida no início de 2015, quando os extintores ABC chegaram a faltar no mercado. Na época, em Porto Velho, consumidores lotaram as lojas para comprar, pois se fossem flagrados  em blitzes seriam multados em R$ 127,69.

Segurança

Mesmo não sendo mais obrigatório, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) aconselha que os condutores comprem e mantenham o extintor ABC dentro dos carros. De acordo com o inspetor João Lobato, o item é essencial para a segurança de quem está dirigindo, independente de multas. "Tudo que contribui para a segurança é a melhor coisa. Os carros possuem sistemas elétricos e sempre vai existir risco de incendiar", explica.

Carro estacionado pegou fogo em avenida de Ariquemes (Foto: Reprodução/ Whatsapp)No dia 16 de setembro um carro que estava estacionado na Avenida Canaã, em Ariquemes, pegou fogo e o condutor não conseguiu controlar as chamas a tempo. De acordo com lojistas do local, o motorista e nem pessoas próximas tinham extintor para apagar o princípio de incêndio. Após o fogo se espalhar por todo veículo, o Corpo de Bombeiros foi chamado e as chamas só foram controladas com o uso de pó químico.

De acordo com o inspetor da PRF, João Lobato, vários fatores podem ocasionar um incêndio em um veículo. "O fogo pode começar até pela roda. Se o freio travar, por exemplo, pode ter um aquecimento e surgir faíscas. Por isso é importante ter um extintor dentro do carro, pois vai conseguir controlar o princípio de incêndio. Nos anos de policial rodoviário já vi vários carros pegando fogo", aconselha. 

Conscientização

O motorista Guilherme Freitas, 24, concorda com o incentivo da PRF e diz que vai manter o extintor dentro do carro, dentro do prazo de validade. "É para nossa segurança. Melhor gastar R$ 100 comprando um extintor do que perder R$ 30 mil, caso o carro pegue fogo", afirma.
* Colaboraram: Eliete Marques (Vilhena), Júnior Freitas (Gujará-Mirim), Rogério Aderbal (Cacoal) e Pâmela Fernandes (Ji-Paraná).

Jonatas Boni*
Do G1 RO

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