Pesquisadores buscam solução para epidemia em Cacoal

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Paracoco é uma doença causada por um fungo que se desenvolve na terra. 40% dos casos da estão concentrados nessa área de Rondônia.

Profissionais de Saúde de Cacoal (RO) e a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) em parceira com pesquisadores de universidades estão buscando soluções para uma epidemia de paracoccidioidmicose no estado. A doença de nome complicado também é conhecida como paracoco e é causada pela aspiração de um fungo que se desenvolve na terra e pode causar a morte se não for descoberta e tratada precocemente.

Profissionais da Saúde estão sendo capacitados para lidar com o paracoco. (Foto: Rogério Silva)
Pesquisadores buscam solução para epidemia em Cacoal
De acordo com Sonia Lima, pesquisadora da Agevisa e coordenadora dos estudos sobre a paracoccidioidmicose no estado, a região de Cacoal é responsável por cerca de 40% dos casos da doença em Rondônia. “Nossa intenção é montar uma força tarefa junto com os outros grupos que estudam a doença no estado para encontrar o melhor diagnóstico para os pacientes acometidos pela doença”, revelou.

Além dos profissionais de saúde, participaram dos estudos pesquisadores da Agevisa, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Universidade de São Paulo (USP) e Instituto de Medicina Tropical da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Todos os profissionais fazem parte da rede latino-americana de estudos da paracoccidioidmicose.

Conforme a pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP, Maria Aparecida Shikanai Yasusa, a paracoccidioidmicose é uma doença bastante comum na América do Sul, e o principal causador é o fungo dimórfico paracocccidioides brasiliensis, porém existem várias outras espécies de fungos causadores, inclusive em Rondônia, onde foi detectado que a maioria dos pacientes foi atacada com uma espécie nova do fungo.

"Há indícios que essa espécie prevalece em Rondônia, e por isso estamos tentando fazer o diagnóstico não só através do isolamento do paciente para a identificação do fungo, mas também conseguir preparar antígenos (substância que, introduzida no corpo, provoca uma reação de defesa, com produção de anticorpos) através dos fungos isolados que possam permitir o diagnóstico dos doentes da região com um grau de até 80% de precisão", relatou.

Ela acrescentou que hoje apenas 40% dos pacientes recebem o diagnóstico da doença dentro do prazo considerado seguro para o tratamento, tendo em vista que ainda não existem antígenos  que facilitam a identificação do fungo com maior exatidão.

"Nossa meta com estes estudos de fungos isolados é conseguir através da rede fornecer antígenos que, depois de padronizados possam ser distribuídos através do SUS por meio do Ministério da Saúde, e assim permitir um diagnóstico mais preciso para a doença na região",  disse Maria Aparecida.

Sintomas

As principais formas clínicas da paracoccidioidmicose são aguda, subaguda e crônica. A forma aguda, em geral compromete crianças, adolescentes e adultos jovens. E é responsável por 20% a 25% dos casos nesta faixa etária e se caracteriza por apresentar febres e perda de peso, e por atacar baço, fígado, nódulos linfáticos e medula óssea.

Já a forma crônica ocorre em 75% dos casos da doença e apresenta manifestações clínicas de longa duração, em geral acima de seis meses. E nesta forma problemas pulmonares são muito frequentes, podendo apresentar lesões na pele e mucosa. Porém outros sistemas e órgãos podem ser acometidos, como o sistema nervoso central e glândulas adrenais. Ao contrário da tuberculose a doença não é contagiosa.

Conforme a Maria Aparecida a forma crônica da doença se desenvolve geralmente em homens, pois as mulheres são protegidas pelos hormônios. E a doença é muitas vezes confundida com tuberculose e outras doenças pulmonares, por apresentar sintomas clínicos precedidos. Além disso, alguns casos diagnosticados de paracoco antecedem ou sucedem a tuberculose.

Fungo desenvolvido pratica agrícola

Ainda de acordo com a pesquisadora na região de Cacoal, a grande maioria dos registros da doença foi diagnosticada em homens adultos. E como a doença é transmita pelo ar ela acredita-se que os fungos podem ter sido desenvolvidos com a prática agrícola, que é  predominante na região.

"Como esta é uma região cafeeira acredita-se que os fungos possam ter se desenvolvidos nos aerossóis (poeira e adubos produzidos pelas cascas do café) provocados pela prática de peneirar e varrer o terreiro para a secagem do grão", explicou a pesquisadora.

Rogério Silva
Do G1 RO

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