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07/11/2015

Fabricante de Motores General Motors (GM) encerra atividades no Brasil

Em fevereiro de 2016, o Brasil deve perder mais uma importante empresa. A montadora MWM, que fabrica motores para a General Motors (GM), além de possuir, até pouco tempo atrás, uma linha de caminhões, anunciou que fechará as portas em fevereiro de 2016. Cerca de 650 funcionários perderão o emprego, sendo que, desde 2011, outros 650 já foram demitidos. 

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O motivo do encerramento das atividades da fábrica, segundo os funcionários, foi o fim do contrato com a multinacional, que era previsto para encerrar em 2018, mas foi abreviado por um acordo entre as empresas. Além disso, a MWM encerrou recentemente em Canoas suas atividades como montadora de caminhões. Vitor Luiz Schwertner é um dos funcionários que lutam para manter seus empregos. Ele esteve na Rádio O Timoneiro e falou para nossa equipe sobre o drama que vive junto a seus colegas e também sobre a omissão do Sindicato dos Metalúrgicos em relação ao caso.


Da glória às demissões

Schwertner conta que a MWM se instalou em Canoas em 1995, comprando uma parte da empresa Massey Fergusson. “A MWM hoje é uma fábrica de motores, um centro de distribuição de peças e uma linha de montagem de caminhões. Os motores fabricados pela empresa são utilizados pela GM para a fabricação do veículo S 10”, explica o funcionário.

Ainda de acordo com o trabalhador, o momento de glória da fábrica ocorreu em 2011, quando foi conquistado um contrato com a GM, que previa a produção de 45 mil motores por ano. No entanto, segundo ele, em 2013 as duas empresas iniciaram uma discussão de valores do contrato. “A MWM começou a definir as plantas das suas fábricas no Brasil e definiu que Canoas seria uma montadora de caminhões. Paralelamente, a GM começou a se preparar para montar, em São Paulo, o mesmo motor que nós fabricávamos para ela. Nesta época iniciou uma briga judicial, com as duas empresas querendo encurtar o contrato, que inicialmente ia até 2018. Em 2014 já começaram as demissões na MWM, pois as empresas negociaram um volume menor de motores”.


Futuro desanimador

O funcionário conta que até fevereiro um certo número de trabalhadores continuarão na empresa, pois até esta época a MWM tem que entregar cerca de 150 motores por dia, em decorrência do acordo com a GM.” As pessoas que começam a ser demitidas a partir desta semana são do setor de caminhões, que não tem mais produção, e algumas pessoas com deficiência física, pois eles irão manter apenas a cota que a lei obriga neste caso” revela Schwertner.


O metalúrgico relata ainda que em março deste ano a MWM divulgou um calendário de demissões e apresentou a maneira como a fábrica funcionará até fevereiro de 2016, mas ainda dando a esperança de que a poderia ser comprada por um grupo chinês, o que até este momento não aconteceu. “Até agora está se cumprindo o que a direção apresentou no começo do ano, com a concordância do Sindicato dos Metalúrgicos. Só que não aconteceu nenhuma assembléia, até este momento o Sindicato não reuniu os trabalhadores para discutir. Eles ofereceram o que foi chamado pelo pessoal de ‘plano de bondade’, que seria dois salários e meio e mais seis meses de plano de saúde para quem cumprisse o calendário e vestisse a camisa do seu setor neste período”, conta. Ele diz ainda: “Éramos 1300 em 2011 e hoje somos 650 trabalhadores, mas já tem uma lista de demissões para os próximos dias, que tem entre 60 e 70 pessoas”.

Abandono e desespero

O trabalhador ainda fez duras críticas ao Sindicato dos Metalúrgicos: “Nesse momento não estamos recebendo nenhum apoio do Sindicato. Nestes dois anos eles só fizeram reuniões com a empresa, nunca houve assembléia ou reunião com os trabalhadores. Neste período de terror e crise dentro da fábrica, nunca vimos nenhum comentário sobre o assunto no boletim do Sindicato. Sempre apoiamos as causas da categoria, lutamos juntos pelo dissídio e, na hora que nós mais precisamos, não podemos contar com nossos representantes”.


Schwertner diz ainda que a perspectiva de um novo emprego é mínima no momento: “É um desespero, pois estamos acompanhando as pessoas que saíram até este momento e a grande maioria não conseguiu nenhum emprego ainda. A expectativa para um próximo emprego é zero. A nossa iniciativa agora é tornar público o que está acontecendo, pois é a segunda maior metalúrgica de Canoas que está fechando as portas. É estranho que nenhuma das autoridades políticas que saem do ninho dos metalúrgicos, que nós elegemos, se pronunciou até o momento ou veio defender os nossos empregos. Estamos indo à Assembleia Legislativa para denunciar isso e estamos registrando denúncias no Ministério do Trabalho e na Delegacia do Trabalho, onde vamos denunciar especificamente a omissão do Sindicato”.

Pedro Ruas usou a tribuna

O deputado estadual do PSOL, Pedro Ruas, usou a tribuna da Assembléia Legislativa (AL) para questionar o procedimento. Segundo ele, os empregos é a questão mais importante, principalmente quando a empresa recebe verbas públicas. “A MWM, segundo informações que tivemos até agora, teve investimento de verbas públicas. É um completo absurdo. Quando existe verba pública de incentivo fiscal a contrapartida empresarial, necessariamente, é a manutenção dos empregos”, critica.


Para ele, deixar de fabricar “é um risco empresarial” que toda empresa corre. “Convoquei o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho, pedindo informações sobre o tema para poder confirmar isso e buscar medidas concretas. Isso é uma coisa inadmissível. A empresa não faliu”, salienta o deputado.

Manifestação

O trabalhador revela também que na próxima semana os funcionários da MWM devem realizar um ato, possivelmente em frente à Prefeitura, para levar a público as denúncias que estão fazendo.

O que diz a Prefeitura

Em relação MWM, a Prefeitura respondeu que “é uma organização multinacional que tem suas políticas de gestão e não cabe ao município interferir nos encaminhamentos da empresa”.

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