Opinião - A difícil arte de fazer política em Rondônia

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A função eletiva exige mais que boa vontade, parceria, organização e respeito

O despreparo da maioria das pessoas que consegue ascender aos mais elevados degraus do difícil exercício da política é gritante. Pessoas com amplas condições de assumir postos importantes ficam no meio do caminho por diversos motivos, mas o maior é de pessoas qualificadas ao seu lado.

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Em Rondônia temos os mais diversos exemplos. Positivo o caso do ex-governador José Bianco, que foi prefeito, deputado estadual constituinte (e presidente do Legislativo estadual) e senador antes de chegar ao cargo máximo da política estadual. Mas também tivemos casos negativos, infelizmente.

O ex-deputado estadual Valter Araújo, que tinha tudo para governar Rondônia ficou pelo meio do caminho. Com passagem pela Câmara Municipal de Porto Velho, Valter se elegeu para o Parlamento estadual e foi reeleito em 2010 com 22.186 votos, a maior votação que um candidato a deputado estadual já obteve em Rondônia.

Ao contrário da maioria dos políticos, que fica pelo meio do caminho por falta de uma equipe de apoio qualificada, com Valter Araújo ocorreu o contrário. Assessoria ele tinha, da melhor qualidade, mas ao garantir, em tese, o segundo mandato logo em seguida a eleição a presidência da Assembleia Legislativa (Ale) foi seu grande erro. A partir daí passou a agir individualmente e encerrou, pelo menos por enquanto, uma brilhante carreira política.

Ninguém duvida que Valter Araújo fosse eleito governador em 2014 sem a necessidade de um segundo turno. Jogou tudo pelo alto quando ignorou assessores que contestavam decisões, além das necessidades. Não há temor em dizer que o Estado perdeu com o isolamento da jovem liderança.

Temos outros exemplos. O ex-deputado estadual Natanael Silva, que tinha uma reeleição à Assembleia Legislativa tranquila e foi induzido a disputar o governo do Estado. Seus principais assessores foram contra, mas ele teimosamente candidatou-se ao governo. Perdeu até para o cavalo Appaloosa, do ex-senador Ernandes Amorim, que era candidato, mas propagava mais o animal que ele durante a campanha.

Natanael foi o último colocado, quando era apontado como favorito no primeiro mês de campanha. A exemplo de Valter, Natanael tinha a marca de um bom administrador de suas empresas, e também na área pública, que é muito mais difícil.

Outro nome que sempre esteve em evidência para governar o Estado era do ex-deputado estadual Carlão de Oliveira. Pessoa simples, mas receptiva, Carlão não chegou à presidência da Ale por acaso. Duas frases de Carlão sempre lembradas por seus assessores: “na política recomenda-se ouvir muito e falar pouco” e “política não se faz com ódio...”.

Carlão ficou pelo caminho porque privilegiou a família e mesmo tendo um deles de excepcional sabedoria e cultura elevada, não deu conta do recado.

O deputado estadual Hermínio Coelho (PSD-PVH) foi podado pelo presidente do seu partido, ex-senador Moreira Mendes em 2012, quando era a “bola da vez” na disputa pela Prefeitura de Porto Velho. Também ficou sem espaço em 2014 para as eleições a governador.

Hoje a bola da vez é o presidente da Ale, Maurão de Carvalho (PP-Andreazza). Está no quinto mandato consecutivo, foi o primeiro prefeito de Ministro Andreazza e já foi reeleito para comandar a Casa do Povo até 2018. Seu nome está em todas as listas de pré-candidatos a governador em 2018.

O Legislativo é um Poder muito forte. Se não faz casas, estradas, postos de saúde, escolas, como o Executivo e muito menos julgar e absorver ou condenar, como o Judiciário, pode quase tudo, pois faz leis. É importante lembrar a frase do senador Ivo Cassol, que é um vencedor na política, pois foi prefeito (Rolim de Moura), governador (dois mandatos) e agora senador: “Sozinho ninguém faz nada”.

Nunca é demais lembrar, que puxa-saco e formigas têm em todos os lugares. Subserviência não garante eficiência e tempo de serviço não quer dizer qualidade. Nem sempre os parceiros do início da política têm condições de assessorar um político a degraus elevados. Humildade, coerência, visão de futuro, respeito, seriedade e diálogo são fundamentais para uma carreira política vitoriosa.

Além de Maurão de Carvalho o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) está entre os favoritos. Acir levou um susto nas eleições de 2014, quando se reelegeu. Ele saiu perdendo para a candidata do PP, Ivone Cassol na primeira pesquisa publicada na mídia. Ivone nunca disputou uma eleição e tinha como argumento apenas ser esposa do senador Ivo Cassol (PP-RO).

Acir “acordou”, reorganizou sua equipe, deu a volta a por cima e se reelegeu. Hoje é nome expressivo para disputar a sucessão do governador Confúcio Moura (PMDB) em 2018.

O futuro governador de Rondônia, se as eleições fossem hoje, estaria entre Acir e Maurão, com seus defeitos e qualidades. Resta saber se até 2018 qual eles reduzirá os defeitos e irá melhorará as qualidades.

Via Rondônia Dinâmica 

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