Delegado vira Delegada e ex-mulher diz para os filhos que o pai morreu

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Há cerca de três anos o delegado Thiago de Castro Teixeira assumiu sua transexualidade e se transformou na delegada Laura. Até então, só se conhecia a história de Laura. Mas há outras vidas envolvidas nessa história e a ex-mulher de Thiago, Betânia Satil, resolveu contar a dela. “Na verdade estou pedindo socorro”, explica. Ela conta que o processo de mudança de sexo de Laura foi muito sofrido para toda família.


“É como se tivesse vivido uma história irreal, como se meu casamento não tivesse acontecido, como se meus filhos fossem um conto”, desabafa. Betânia sente falta de apoio para ela e para os filhos. “A família também deveria ser amparada, não sei o que faço, não há um estudo que oriente a lidar com a situação”, reclama.

Betânia conheceu Thiago na adolescência e se casou com ele aos 22 anos, já grávida do filho que hoje tem 15 anos. O casal tem também uma filha de 11 anos. Eles ficaram juntos por 12 anos e, em nenhum momento, Betânia desconfiou da transexualidade. “Ela nunca teve nada efeminado, nada que chamasse atenção”, diz, referindo-se ao ex-marido como “ela”.


A vida da família era normal. “Éramos amigos”, lembra. Foi a ela que ele primeiro confessou a transexualidade. Betânia não acreditou quando ele contou que tinha um distúrbio: transtorno da disporia do gênero. “Ele já tinha pesquisado tudo.” Ela achou que ele havia surtado e procurou um parente do ex-marido, que o levou a um psicólogo. O profissional disse que a história era uma fantasia. “Ele aceitou o diagnóstico para não me ver sofrer”, diz.


Betânia viveu com o ex-marido mais três anos e, segundo ela, a convivência ainda era boa. Ele voltou a falar no assunto quando a família se mudou para Porangatu, Norte do Estado. No Hospital das Clinicas (HC), em Goiânia, teve a confirmação da transexualidade e decidiu fazer a cirurgia. No inicio, queria manter a família.


Normalmente, o processo de mudança de sexo no HC ocorre em etapas e demora cerca de quatro anos, mas Laura optou por fazer a cirurgia no exterior. Foi homem e voltou mulher. “Se ela tivesse feito no HC, teríamos acompanhamento psicológico”, lamenta. A separação foi consensual, mas dolorosa.

Filhos

Cabia a Betânia informar os filhos sobre a cirurgia e ela o fazia a conta-gotas, à medida que as coisas iam acontecendo. “Mas quando a história dela saiu na mídia, meu filho não aceitou. Ficou seis meses sem conversar com o pai e chorava todos os dias.” A filha perguntou se poderia falar para as amigas que Laura –a mulher que a buscava na escola – era uma tia e que o pai havia morrido. Não foi Betânia que respondeu, mas o filho: “Ele disse que ela podia e que devia fazer isso porque o pai realmente havia morrido.”


O casal tem guarda compartilhada e os filhos mantiveram a convivência boa com o pai. O garoto o chama de Laura e a menina, ora de pai, ora de Laura.

A relação com o marido acabou sendo dificultada por questões financeiras. Betânia não conseguiu arrumar emprego devidos aos problemas psicológicos que adquiriu e passou a ter dificuldade financeira. Hoje ela recebe cesta da igreja e faz marmita para vender na Rua 44. “Meus filhos perderam o padrão de vida deles.”


Betânia conta que toma quatro remédios diariamente e que ela e os filhos precisam de acompanhamento psicológico. “Preciso de ajuda e não tenho condições.”

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