Delcídio detalha esquema e diz que Lula nomeou diretores da Petrobras

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Senador concedeu entrevista ao Jornal Nacional e à revista 'Veja'. Ele também disse que campanha de Dilma recebeu propina; governo nega.

O ex-líder do governo e senador licenciado, Delcídio do Amaral (sem partido-MS), que foi preso em flagrante por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) e, posteriormente, saiu da cadeia depois de fazer acordo de delação premiada, concedeu entrevista ao Jornal Nacional neste sábado (19). Ele também foi entrevistado para a edição da revista "Veja" distribuída neste fim de semana.


O parlamentar repete o que disse aos procuradores federais na delação premiada, confirmando as acusações contra Dilma, Lula e outros nomes do PT e de outros partidos, mas revela alguns detalhes novos. É a primeira vez que ele é confrontado em público com o fato de que os crimes que ele denuncia, se de fato foram cometidos, foram cometidos com a cumplicidade dele.

O senador Delcídio do Amaral recebeu a equipe de reportagem do Jornal Nacional em São Paulo, na noite de sexta-feira (18). Leia a entrevista abaixo:

Jornal Nacional: O presidente Lula também sabia, conhecia o “propinoduto”?

Delcídio do Amaral: Tinha ciência disso, conhecia claramente. Nomeou, junto com as bancadas os principais diretores da Petrobras.

Jornal Nacional: Todos?

Delcídio do Amaral: Todos passavam por ele. Outra coisa também, Cristina. Não é de agora que os diretores da Petrobras são indicados politicamente. Em outros governos também diretores da Petrobras foram. Não estou dizendo todos, mas essa prática também não é de agora.

Jornal Nacional: Em 2010 e em 2014, a campanha da presidente Dilma recebeu dinheiro de propina?

Delcídio do Amaral: Eu não tenho dúvida nenhuma disso. O tempo vai dizer, claramente. Daqui a algumas semanas as pessoas vão ter condições. Até na minha, na minha colaboração eu falo sobre isso, e a minha colaboração vai fechar com dados que já foram levantados já em outras colaborações. Eu não tenho dúvida disso.


Jornal Nacional: O senhor é testemunha também de uma corrupção sistêmica no governo. O senhor sabia do que acontecia. O senhor nunca pensou em falar, em denunciar, ou em parar, ou sair? Como a sua consciência lidava com isso que o senhor estava vendo?

Delcídio do Amaral: Na verdade, eu procurava cumprir o meu papel de líder do governo. E acho que cumpri bem. Agora, efetivamente, eu poderia ter denunciado, até porque eu tenho um nível de conhecimento que é muito diferente dos demais. Por que que eu participava desse grupo pequeno que falava de Lava Jato? Porque eu conheço todos os atores. Eu conheço todos os atores, eu fui empregado da Petrobras, eu fui empregado do sistema Eletrobras, eu conheci as principais empresas, os donos de empresa. E eu sabia das coisas. Mas eu tinha uma missão de ser líder do governo e aprovar os projetos do governo.


A Secretaria de Imprensa da Presidência da República divulgou nota na noite deste sábado na qual afirma que Delcídio inventa “estórias mirabolantes” e repete "inverdades". Segundo o governo, trata-se de uma estratégia de vingança. A secretaria afirmou, ainda, que o governo nunca interferiu nas investigações da Lava Jato ou do Poder Judiciário, e que a presidente Dilma determinou que medidas judiciais sejam tomadas.

Os advogados do ex-presidente Lula disseram que as afirmações do senador são vazias e incompatíveis com pronunciamentos anteriores, feitos de forma espontânea, e que não têm nenhum valor jurídico.


O Instituto Lula disse que não vai comentar "acusações sem fundamento de uma pessoa envolvida em uma barganha com a Justiça e com o Ministério Público" para conseguir redução de pena e benefícios financeiros. O instituto afirmou ainda que, num depoimento em dezembro do ano passado à Polícia Federal, o ex-presidente Lula disse que não tinha conhecimento dos desvios na Petrobras e que o ex-presidente não tem nada a esconder.

Entrevista à revista 'Veja'

O senador Delcídio do Amaral também deu entrevista à revista Veja que chegou neste sábado (19) às bancas. Nela, ele diz que o ex-presidente Lula comandava o esquema e tentou interferir na Lava Jato logo nos primeiros passos a operação.

O senador diz que na primeira vez que foi procurado por Lula nem era líder do governo. Delcídio afirma que isso foi logo após depois da prisão do Paulo Roberto Costa e que Lula estava muito preocupado, que ele sabia do tamanho de Paulo Roberto na operação, da profusão de negócios fechados por ele e do amplo leque de partidos e políticos que ele atendia.


Delcídio diz que Lula disse a ele que "é bom a gente acompanhar isso aí e que tem muita gente pendurada lá, inclusive do PT". Delcídio comenta que, na época, ninguém imaginava aonde isso ia chegar.

O repórter pergunta a Delcídio se a presidente tem o poder de mudar voto no Supremo. O senador responde que Dilma costumava repetir que tinha cinco ministros no STF e que era clara a estratégia do governo de fazer lobby nos tribunais superiores e usar ministros simpáticos à causa para deter a Lava Jato.

O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, negou qualquer interferência indevida do governo no poder Judiciário para beneficiar investigados da Lava Jato. Ele afirmou que isso já foi desmentido publicamente por magistrados, como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

Na entrevista ao Jornal Nacional, o senador assume sua parcela de culpa no escândalo.

Jornal Nacional: O senhor não considera que fez uma tentativa de obstrução das investigações?

Delcídio do Amaral: Evidentemente, a partir do momento que eu fiz essa interface, a pedido do presidente Lula, claro que eu estava... Eu não sou daqueles 'eu não sei, não é comigo', que nega tudo. Eu sou uma pessoa que reconhece os erros que cometeu. E eu cometi um erro. Como líder do governo, eu cometi um erro.

Delcídio está de licença médica do Senado. Apesar de não usar tornozeleira eletrônica, ele tem que infomar à Justiça de todos os seus passos e se recolher em casa à noite. Ele responde pelo crime de obstrução da Justiça e tem mais 30 dias de prazo para acrescentar informações à delação premiada.

Do Jornal Nacional

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