Com projeto sobre a própria aldeia, indígena é aceito no mestrado em Rondônia

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Professor indígena conseguiu uma vaga no programa de Geografia da Unir. Francisco Oro Waram mora e leciona na Aldeia Laje Velho, na zona rural.

Natural e morador de Guajará-Mirim (RO), a 330 quilômetros de Porto Velho, o professor indígena Francisco Oro Waram foi um dos aprovados no Programa de Mestrado em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (Unir). Com o projeto "Ka'mana krakan pin xine Makan pain makraxi Komi memen-Povo Oro Wari: Conflitos sociais e territoriais nas terras indígenas do Igarapé Laje", Francisco conseguiu uma bolsa de financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Francisco Oro Waram vai fazer mestrado no Programa de Geografia da Universidade Federal de Rondônia (Foto: Júnior Freitas/G1)

Segundo a Unir, é a primeira vez na história da universidade que o Programa de Pós-Graduação em nível de Mestrado terá discentes indígenas. Além de Francisco de Guajará, outro indígena de Cacoal, Gasodá Suruí, também foi aprovado no programa. Professor há mais de 20 anos, Francisco tem Licenciatura em Educação Básica Intercultural e pós-graduação em Gestão Escolar Disciplinar e Intercultural pela Unir de Ji-Paraná (RO). Atualmente, ele dá aulas para estudantes do ensino fundamental na Aldeia Laje Velho, localizada na 6ª Linha do Distrito do Iata, na zona rural do município, onde mora com a família.
Espero que com essa conquista outros índios se sintam motivados"

Francisco Oro Waram

Em entrevista ao G1, o professor contou que após a conclusão do mestrado em Porto Velho, que vai durar dois anos e meio, a intenção é voltar para a aldeia onde nasceu para compartilhar os novos conhecimentos adquiridos e posteriormente fazer um doutorado na área.

"O único caminho é o estudo, não existe outro. Espero que com essa conquista outros índios se sintam motivados e saibam que tudo é possível quando a gente tem força de vontade. O meu legado é que meu povo pode sim alcançar o nível superior e buscar formações nas mais variadas áreas de estudo. Não vou parar por aqui, quero ir além e chegar onde poucos imaginavam que eu chegaria", comentou satisfeito.

Emocionado, Francisco relembrou a trajetória de estudos até chegar no seu projeto final. "Em 1994 fiz o curso de Técnico em Agropecuária e desde então não parei mais. No ano de 1998 iniciei o magistério e em 2009 o ensino superior. Já formado, em 2015 conclui a pós-graduação e agora vou para o próximo nível que é o mestrado. Estou muito feliz porque é uma experiência única. Meu objetivo é seguir estudando e fazer doutorado na área, trabalhando sempre em prol da minha comunidade e do meu povo", finalizou.

Para o coordenador regional substituto da Fundação Nacional do Índio de Guajará-Mirim (Funai), João Soares, a conquista de Francisco é motivo de orgulho para a instituição e os índios do município, que concentra a maior população indígena do estado. "Sentimos muito orgulho do Francisco, pois sabemos que a quantidade de índios que frequentam o ensino superior é muito baixa, mas estamos trabalhando para mudar isso. Fico animado de ver o esforço, a perseverança, mesmo diante das dificuldades, ele é um exemplo disso. Esse passo é importante não só para ele, mas para todo o povo indígena que deve se espelhar nessa trajetória de sucesso", declarou o servidor.

Júnior Freitas
Do G1 RO

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