Jovem que matou ex no sexo acredita que rapaz ainda está vivo, diz TJ-RO

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À juíza, Vania afirma que fatos estão 'embaçados' e ela não se arrepende. Marcos Porto foi morto com 11 facadas em dezembro de 2015, em Vilhena.

O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) divulgou, nesta quinta-feira (28), trechos do depoimento que a jovem Vania Basílio Rocha prestou na audiência de instrução realizada em Vilhena (RO) no dia 12 de julho. À juíza da Comarca local, a acusada de ter matado o ex-namorado a facadas no ato sexual declarou que os fatos estão "embaçados" na cabeça e que ela não se recorda do homicídio duplamente qualificado. Segundo a Justiça, Vania acredita que o ex-namorado, Marcos Catanio Porto, ainda está vivo.


Ao judiciário, Vania, que foi diagnosticada com sociopatia em maio deste ano, relatou que namorou com Marcos por dez meses e que gostava da vítima. Em dezembro de 2015, segundo a Polícia Civil, Vania foi até a casa do jovem e o matou com 11 facadas durante o ato sexual. Na época, a jovem deu entrevista ao G1 e revelou como praticou o crime. Segundo Vania, no dia 30 de dezembro ela ligou para Marcos alegando que queria se despedir, pois iria embora para outro estado. Ela então colocou uma faca de cozinha dentro da bolsa e foi para a casa da vítima, que havia aceitado receber a visita. O casal foi para o quarto e, durante as preliminares sexuais, esfaqueou o ex-namorado.

Crime aconteceu na casa do ex-namorado, em Vilhena (Foto: Rede Amazônica/ Reprodução)

"Eu tapei o olho dele. Aí peguei a faca e meti nele. Ele reagiu e veio para cima de mim e eu fui para cima dele também. Eu enforquei ele e aí comecei a meter [facadas] em outras partes do corpo dele. Daí, ele gritou socorro e a porta estava trancada. O irmão dele quebrou a janela. Quando o irmão dele entrou, ele já estava quase morrendo. Fiquei olhando olho no olho até ele morrer", narrou Vania (ouça o áudio aqui).

Julgamento ocorre nesta quinta-feira (12) no Fórum de Vilhena (Foto: Eliete Marques/G1)

Na audiência de instrução realizada no Fórum de Vilhena, Vania negou as declarações e disse não se recordar que “acordou com vontade de matar alguém”. Segundo ela, os fatos ainda estão embaçados em sua cabeça e, por isso, ela acredita que a vítima ainda está viva. Ao judiciário, Vania disse não se arrepender de nada, já que não praticou o crime. A jovem segue presa no presídio feminino da cidade.

Testemunhas

O TJ-RO divulgou também o depoimento de testemunhas que estavam na casa no dia do crime. À juíza, um policial militar relatou que ao chegar para atender a ocorrência encontrou a acusada trancada no banheiro. Na ocasião, ela confessou ter matado o ex-namorado e ressaltou a vontade de fazer mais vítimas naquele dia.

No velório de Marcos, em 31 de dezembro de 2015, Mauricio Jacob, amigo de Marcos, contou que estava na casa onde ocorreu o crime. "Ele morreu nos meus braços. 'Ela é louca' foram as últimas palavras dele. Perdi um irmão", lamentou.

Vânia chegou ao IML de Vilhena, RO, maquiada (Foto: Eliete Marques/G1)

Mauricio lembrou que após chegar à residência, Vania foi para o quarto com Marcos. Depois de algum tempo, Mauricio e o irmão da vítima, Alberto, ouviram gritos de socorro. "Arrombamos a janela, pois a porta estava fechada. Quando entramos, ele segurava o braço dela com a faca. Arranquei a faca da mão dela e joguei longe. Ela sumiu e o Tim foi caindo para trás, falando que ela era louca", contou Mauricio.

Protestos

Vania foi levada para a audiência de instrução no Fórum local. De acordo com o defensor público de Vania, George Barreto Filho, a audiência foi o momento processual em que parte e testemunhas são ouvidas para declarar o que sabem sobre os fatos que estão sendo apurados.

Velório e sepultamento de Marcos foi no Cemitério Cristo Rei (Foto: Eliete Marques/ G1)

Após Vania chegar no Fórum, familiares e amigos de Marcos Catanio Porto, jovem que foi morto por Vania, fizeram um manifesto na frente do Fórum Criminal de Vilhena. "Nós queremos que ela vá a júri popular", enfatiza o irmão da vítima, Alberto Catanio Porto.

O grupo estava vestindo camisetas com a foto de Tim, como era conhecido. Nas costas dos familiares e amigos, a roupa apresentava a frase: "Quem ama não mata! Queremos justiça!".

Descumprimento de regra

Por ter descumprido uma regra do presídio feminino de Vilhena, Vania foi proibida de receber visitas de familiares até o início de agosto. O comunicado da proibição da cela dois foi colocado em um mural do presidio feminino da cidade. Segundo o documento, as presas da cela dois, onde Vania está presa desde janeiro,  estão sem visita e sem "jumbada" – alimentos e outros produtos levados por visitantes. Na cela há seis mulheres.

Vania chegando ao Fórum de Vilhena nesta terça (Foto: José Manoel/ Rede Amazônica)

Polêmica no Facebook

Uma das publicações de Vania mais comentadas no Facebook é o texto de um blog que tinha como título: "eu não fui uma má namorada, você que me tornou". Após ser presa e confessar que matou o ex-namorado, usuários criticaram a postagem. "Imagina se fosse boa", escreveu um jovem. "Louca, psicopata, parece que estava possuída pelo demônio", acrescentou outro usuário. A postagem foi feita dois dias antes do crime.
Laudo da vítima

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Marcos levou 11 facadas, sendo no pescoço, abdômen, braços, mão e pernas. Segundo um croqui divulgado pela Polícia Civil, a perfuração de faca no pescoço foi o que motivou a morte do rapaz.

Jonatas Boni
Do G1 Vilhena e Cone Sul

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