Entenda o caso no qual Feliciano é acusado de tentativa de estupro

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Jovem militante do PSC afirma que deputado federal a agrediu e aliados buscaram comprar seu silêncio

Feliciano teria oferecido emprego e salário de 15 mil reais à jovem

Desde que veio à tona na semana passada, o caso da estudante de jornalismo Patrícia Lélis, que acusa o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) de tentativa de estupro e agressão, está envolto em controvérsias e polêmicas. A versões se contradizem e ainda há muito a ser investigado pela polícia. Veja o que se sabe até aqui:

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Qual é a principal acusação contra Marco Feliciano (PSC-SP)?

A jovem de 22 anos Patrícia Lélis acusa Feliciano de tentar estuprá-la. O crime, de acordo com o boletim de ocorrência registrado no 3o DP da Polícia Civil, no centro de São Paulo, teria ocorrido na manhã de 15 de junho. Segundo Patrícia, o deputado a havia convidado para uma reunião em seu escritório funcional em Brasília.

Quando chegou lá, Feliciano estava sozinho e disse que desejava conversar com ela a sós. Segundo afirmou Patrícia, o parlamentar propôs que ela fosse sua amante em troca de um salário de 15 mil mensais para ocupar uma posição dentro do partido. “Ele tentou me arrastar para o quarto e tirar meu vestido. Como eu resisti, ele me deu um soco na boca e um chute na perna”, disse Patrícia ao jornal O Estado de S. Paulo. Ela disse só ter conseguido escapar quando uma vizinha ouviu seus gritos e tocou a campainha para saber o que estava ocorrendo.

Quem é a estudante que o acusa?

Patrícia Lélis tem 22 anos e é estudante de jornalismo. Filiada ao Partido Social Cristão (PSC) desde março, é conhecida no YouTube por ser conservadora, religiosa e anti-feminista.

Além das acusações contra Feliciano, quem mais está envolvido?

No boletim de ocorrência que Patrícia fez na sexta-feira dia 5 constam nomes como o de Talma Bauer, chefe de gabinete de Feliciano, Emerson Biazon, assessor do Partido Republicano Brasileiro (PRB), e do pastor Everaldo, presidente nacional do PSC. Patrícia conta que Bauer tentou comprar o seu silêncio, assim como o pastor Everaldo, que teria oferecido dinheiro para que não denunciasse Feliciano. "Bauer ofereceu dinheiro para eu ficar quieta e também o pastor Everaldo. Não sei estimar a quantia, porque estava dentro de um saco", explicou em entrevista coletiva na segunda-feira 8, ao confirmar o áudio que circulou no fim de semana sobre a conversa que teve com o assessor de Feliciano. "Dentro de um partido que defende que o criminoso seja punido, eu achei que fossem ajudar e tomar as medidas cabíveis junto comigo. Mas não foi bem assim."

Segundo a jovem, Biazon a convidou para uma viagem para São Paulo com todas as despesas pagas. “Ele me ofereceu emprego na Record de Campinas, onde tinha contatos'', disse a jovem à coluna Esplanada, do portal UOL. À coluna, Patrícia relatou que Biazon a havia levado para o Hotel San Raphael, no Largo do Arouche, onde a esperava Bauer. Patrícia acusa Bauer de mantê-la em cárcere privado no hotel. 

O que diz Feliciano?

Ao lado da mulher Edileusa, Feliciano gravou um vídeo no sábado 6 no qual buscou desmentir as acusações. “A justiça dos homens inúmeras vezes me inocentou, mesmo depois de eu ter sido escrachado publicamente”, afirmou. “Como não conseguem nunca me pegar em nada nesse País, não sou corrupto, não sou uma pessoa má, agora tocaram no meu moral. Mas tenho certeza que a justiça vai vir à tona.” 

feliciano

O deputado do PSC, autor de projetos como “cura gay” ou “castração química para estupradores”, fez ainda um apelo ao público para que não o “condenem antes do tempo” e disse perdoar Patrícia. “Embora eu esteja com o coração quebrado e machucado, com a minha família sofrendo, eu não vou julgar essa moça, eu perdoo ela. Embora eu espere que ela seja responsabilizada pela falsa comunicação do crime, eu perdoo.” 

Se a jovem fez as acusações e a denúncia formal, o que falta para a detenção de Feliciano e os outros envolvidos?

Alguns pontos do caso ainda não estão esclarecidos. Por exemplo, por que a jovem aceitou o convite para ir para São Paulo ou por que acabou gravando um vídeo posterior no qual desmentia as acusações contra Feliciano. Ao mesmo tempo, não fica claro como Bauer chegou ao hotel no Arouche – Patrícia diz que o encontrou no lobby, mas também já disse ter passado o endereço do San Raphael para ele ao telefone, sob ameaça de que ele mataria seus parentes. Patrícia conta que Bauer estava no hotel armado e a obrigou fazer vídeos desmentindo toda a história. Imagens da câmera de segurança, por sua vez, mostram Patrícia abraçando Bauer quando o encontra.

Em vídeo, Marco Feliciano nega tentativa de estupro de jornalista Reprodução/Facebook

A jovem afirma que os vídeos foram gravados sob ameaça de Bauer, que teria dito saber onde Patrícia mora, assim como sua família, além de ter oferecido dinheiro para ela "esquecer o assunto."

Como seguem as investigações? Patrícia está sob proteção?

Não. Além disso, o delegado Luiz Roberto Hellmeister, que investiga o caso em São Paulo, descartou a hipótese de sequestro e cárcere privado que o assessor pudesse ter praticado sobre a jovem. Segundo o portal G1, para Hellmeister as imagens podem desconfigurar a situação de sequestro descrita por Patrícia, pois ela recebeu o namorado no hotel e aparentemente trata Bauer como amigo nas imagens.

Além do 3o DP de São Paulo, o caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, na Asa Sul de Brasília.


De acordo com a coluna Esplanada, as polícias civil de SP e do DF passam a investigar o caso em relação ao sequestro qualificado e coação (para que ela gravasse vídeos a favor de Feliciano). A Procuradoria Geral da República, por sua vez, entrou na história e pedirá à Polícia Legislativa as imagens de vídeos das câmeras instaladas no prédio, corredores e elevadores onde mora o parlamentar.

Quais os próximos passos no caso? O parlamentar pode ser afastado ou punido?

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), procuradora especial da Mulher no Senado, protocolou junto ao Ministério Público do Distrito Federal um ofício no qual solicita que Feliciano seja investigado pela suposta tentativa de estupro. “A denúncia é mais um caso de assédio sexual, praticado por figura tida como zelador de direitos e garantias individuais, e mais uma demonstração do cenário machista que compõe nosso parlamento e sociedade. O grave relato da estudante que foi pressionada a sair de Brasília evitando um escândalo precisa ser investigado e a culpa atribuída ao autor do fato”, escreveu a senadora no documento.



Além disso, a cúpula do PSC determinou a criação de uma comissão interna para apurar a suposta acusação de assédio sexual e agressão. A comissão será formada pelo 1º-vice-presidente do PSC, Marcondes Gadelha, pela presidente do PSC Mulher, Denise Assumpção, e um integrante do PSC Jovem e ainda não tem prazo definido para apresentar o resultado da sindicância.


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