Papa nomeia um brasileiro e outros 12 novos cardeais dos cinco continentes

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Atual arcebispo de Brasília, Sérgio da Rocha, está entre os que participarão da eleição do próximo papa.

O papa Francisco anunciou a nomeação de 13 novos cardeais, procedentes dos cinco continentes e de 11 países diferentes, entre eles o atual arcebispo de Brasília, Sérgio da Rocha. Além dos novos cardeais, que com menos de 80 anos de idade poderão participar do conclave pare eleger o próximo pontífice, Jorge Mario Bergoglio também nomeará num conselho a ser realizado em 19 de novembro – véspera do encerramento do Ano Santo da Misericórdia – outros quatro cardeais eméritos. A escolha dos novos cardeais eleitores confirma a intenção de Francisco de descentralizar o Vaticano, tirando poder da hierarquia italiana para dá-lo à periferia.


Papa Francisco nomeia cardeal brasileiro

“A origem em 11 nações expressa a universalidade da Igreja”, explicou o Papa depois da oração do Ângelus na praça de São Pedro, “que anuncia e dá testemunho da Misericórdia de Deus em cada rincão da Terra”. Destaca-se a presença entre os novos nomeados de três cardeais norte-americanos (destinados a Chicago, Indianápolis e ao dicastério (departamento do Vaticano) para os laicos e a família), um brasileiro (Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília), um mexicano (Carlos Aguiar Retes, arcebispo de Tlanepantla) e um venezuelano (Baltazar Enrique Porras, arcebispo de Mérida). Bergoglio também nomeou cardeais da República Centro-Africana, de Bangladesh, das Ilhas Maurício e de Papua-Nova Guiné. “A inclusão de novos cardeais na Diocese de Roma”, acrescentou Francisco, “manifesta a inseparável relação entre a sede de Pedro e as Igrejas particulares espalhadas pelo mundo”.



Outro dado que chama a atenção nas nomeações é que, entre os 13 novos cardeais eleitores há somente 3 europeus. O espanhol Carlos Osoro (Santander, 1945), o atual arcebispo de Bruxelas, Jozef De Kesel (Gent, 1947) e apenas um italiano, Mario Zenari (Verona, 1946), que é e continuará sendo núncio apostólico na, segundo a expressão empregada pelo Papa, “amada e martirizada Síria”. Entre os quatro cardeais com mais de 80 anos há mais um italiano, monsenhor Renato Corti, arcebispo emérito de Novara, mas sem dúvida é um saldo muito pobre quando se considera o poder quase hegemônico que a conferência episcopal italiana exerceu até agora na vida do Vaticano e, especialmente, na eleição dos novos pontífices. Entre os cardeais eméritos ressalta uma nomeação. É a de um simples sacerdote albanês chamado Ernest Simoni. Condenado à morte durante a ditadura comunista, seu testemunho comoveu o papa Francisco durante visita à Albânia em setembro de 2014. Agora, com 88 anos, será cardeal.

Antes de tornar pública a lista, Jorge Mario Bergoglio pediu durante a oração do Ângelus a solidariedade mundial para o Haiti, depois dos estragos do furacão, e condenou a exclusão na qual costumam viver os migrantes, alertando: “Quantos estrangeiros, e até pessoas de outras religiões, nos dão exemplo de valores que nós às vezes esquecemos ou negligenciamos”.

Pablo Ordaz
El País

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