Transexual eleita vereadora em Pimenta Bueno diz que foi chamada de 'veado' por ex-aliado

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Jordana recebeu mais de 500 votos em Pimenta (RO) e foi a 5ª mais votada. Ao G1, ela diz que trocou de partido após preconceito nas eleições.

Com a conquista de 553 votos nas urnas, Jordana Fonseca Ferreira (PSD), de 33 anos, foi a única transexual eleita para o cargo de vereadora em Rondônia nas Eleições 2016. Moradora de Pimenta Bueno (RO), a 520 quilômetros de Porto Velho, a candidata participou de um pleito eleitoral pela 1ª vez e foi a 5ª mais votada para a Câmara. Em entrevista, Jordana diz que enfrentou preconceitos antes e durante a campanha. "Um aliado político me chamou de 'veado' no início. Quando soube da atitude dele, troquei de partido", conta, preferindo não identifar o autor da frase.

Jordana foi eleita pela primeira vez em Pimenta Bueno (Foto: Arquivo Pessoal)

Jordana não foi a única transexual eleita vereadora no Brasil este ano. Em Caldas (MG), Najara  (PSDB) recebeu 416 votos e vai assumir a Câmara em 2017. Ao G1, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disse que não sabe informar quantas transexuais foram eleitas no país, pois a "Justiça Eleitoral não contempla em suas estatísticas a orientação sexual dos candidatos registrados".

Concorrendo pela primeira vez a um cargo político, a empresária do ramo de modas de Pimenta Bueno, Jordana Ferreira, destaca que a vitória nas urnas não foi uma supressa para ela, pois já esperava um bom desempenho no pleito.

"Mesmo com a falta de experiência minha e de minha equipe, eu acreditava na vitória em razão de minha trajetória nesta cidade, que foi construída de forma limpa e transparente. No fim saiu dentro do que havia planejado", diz.

Apesar da vitória, considerada fácil pela própria eleita, nem tudo foi flores na caminhada da candidata a Câmara Municipal, tendo em vista que ela teve que enfrentar  ataques preconceituosos antes e durante a campanha. Um dos ataques veio de um dos aliados políticos, que ela prefere não identificar.

"Quando estava próximo de começar a campanha, um vereador de meu antigo partido me chamou de ‘veado’. Ao saber da atitude dele troquei de partido, pois para mim ‘veado’ é um animal que vive no mato e não uma pessoal homossexual, como ele estava se referindo de maneira pejorativa. Outro ataque que sofri aconteceu na campanha, quando um empresário da cidade fez montagens preconceituosas com minha foto e começou compartilhar pelas redes sociais, até que chegou a minha família", conta.

Jordana registrou boletim de ocorrência ao saber de preconceito (Foto: Arquivo Pessoal)

Assim que teve acesso ao material, Jordana foi à delegacia e registrou uma ocorrência contra o empresário. Na época ela escreveu em uma rede social: "Se falar mal de mim vai ter processo sim. Isso não é perder tempo, é exigir respeito. Assim como são meus planos políticos fazer valer o direito de cada cidadão". Ela garante que vai até o fim na Justiça com o caso preconceituoso.

Sobre as causades Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), Jordana diz que não será uma das suas principais bandeiras de defesa como vereadora, pois, segundo ela, apesar do preconceito por alguns seguimentos da sociedade, eles já se auto representam na cidade.

"Hoje a maioria dos homossexuais de Pimenta Bueno tem suas vidas bem resolvidas, através de esforços e méritos próprios. Por isso minha vitória como vereadora mostra que homossexual também é capaz de exercer qualquer cargo, como as demais pessoas", expõe.

A cultura e esporte são as demandas que devem receber uma atenção especial de Jordana durante seu mandato. A vereadora destaca que as duas áreas têm prioridade, pois quando funcionam como se deve, elas fecham as portas para entrada de várias coisas ilícitas que atingem principalmente as crianças e os jovens. 

"Pretendo criar projetos e leis e correr atrás de recursos para montar programas que atendam crianças a partir dos três anos com diversas atividades culturais e esportivas, tendo em vista que a cidade já teve grandes desportistas e que nos representou até fora do país. Hoje está tudo parado por falta de incentivo. Por isso vou me dedicar bastante nesta área, porque este é um caminho que promove a inclusão entre as classes sociais e econômicas", aponta.

Rogério Aderbal e Jonatas Boni
Do G1 Cacoal e Zona da Mata

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