Corrupção na prefeitura de Vilhena supera Cacoal e desviou R$ 6 milhões

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Informações foram divulgadas pela PF após a Operação Ficus. Investigações iniciadas em 2015 vão continuar, segundo a Polícia Federal.

A Polícia Federal (PF) estima que cerca de R$ 6 milhões foram desviados da prefeitura de Vilhena (RO) em cinco anos. A declaração foi feita nesta segunda-feira (12), após a Operação Ficus, que tinha por objetivo combater a lavagem de dinheiro e a propina no poder executivo. De acordo com o delegado Bruno Santos, mesmo com o andamento das investigações há indícios de que esquemas de corrupção ainda acontecem no município, mas em uma proporção menor.

Cidade de Vilhena, prefeito, vice e metade dos vereadores são presos pela Polícia Federal

Os envolvidos nas práticas ilegais seriam servidores antigos e atuais, secretarias municipais e grandes empresários locais. O delegado explica que não há como definir de antemão o número exato de suspeitos, pois muitas pessoas estariam relacionadas em mais de um esquema. "Todos estão interligados, praticamente foi instalada aqui em Vilhena uma corrupção sistêmica", afirma Santos. A PF chegou ao montante de R$6 milhões desviados dos cofres públicos a partir da soma das quantias roubadas, apontadas em cada inquérito aberto desde o início da Operação Stigma, em julho de 2015. Segundo os documentos, as ações irregulares estariam sendo praticadas a datar de 2011.

Lista de propina

Durante o cumprimento de um dos mandados de buscas e apreensões em uma empresa de engenharia, a PF encontrou em 2015 uma lista de pagamentos, possivelmente de propina, com nomes de pessoas e empresas de vários ramos sociais.

Cidade de Vilhena, prefeito, vice e metade dos vereadores são presos pela Polícia Federal

A análise e cruzamento desses dados foram concluídos recentemente. Com o resultado de quebras de sigilo bancários, foi revelado que a empresa de engenharia pagava vultosas quantias a servidores públicos e agentes políticos sem razão de serviço ou outra explicação. O valor dos recebimentos chega a R$1 milhão.

Ficus

A Operação Ficus foi deflagrada nesta segunda-feira com o objetivo desarticular mais um esquema de propina e lavagem de dinheiro entre empresas locais e servidores da prefeitura.
Um dos empresários investigados é o proprietário de um supermercado e o dono de um posto de gasolina local. Conforme a polícia, a prefeitura teria dado R$600 mil para a rede de alimento, sem que houvesse licitação ou qualquer outro documento que justificasse o motivo da transação.

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Mais de 16 mandados de busca e apreensão, três prisões preventivas e nove condução coercitiva foram cumpridas nesta segunda. Faltam ainda a prisão de duas pessoas que não foram encontradas na cidade, pois estão viajando.

Os nomes dos investigados ainda não poderão ser divulgados porque estão em segredo de Justiça. "Uma investigação leva a outra. Detectamos indícios de que há outras organizações criminosas operando atualmente na prefeitura, por isso, daremos sequência ao trabalho", informou.

O nome "Ficus" faz referência ao gênero de árvore que lança no solo raízes profundas, que sugam os nutrientes de tudo ao redor, diminuindo a vitalidade de outros vegetais para benefício próprio. Conforme a PF, a corrupção na prefeitura de Vilhena funciona da mesma maneira.

Aline Lopes
Do G1 Vilhena e Cone Sul

Tópicos: Polícia Federal, Rondônia, Vilhena

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