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07/11/2017

'Não caiu a ficha ainda', diz professora vencedora do prêmio Educador do Ano

Elisângela recebeu também a premiação de Educadora Nota 10, destinada aos 10 melhores educadores do país. Educadora foi recebida em Cacoal (RO) com faixas e cartazes.

A professora Elisângela Dell-Armelina Suruí, vencedora do prêmio Educador do Ano, desembarcou neste fim de semana no aeroporto de Cacoal (RO) e foi recebida por familiares, indígenas e servidores da Coordenadoria Regional de Ensino (CRE), que recepcionaram a educadora com faixas e cartaz parabenizando-a pela conquista. Além do prêmio de Educadora do Ano, Elisângela recebeu também a premiação de Educadora Nota 10, destinada aos 10 melhores educadores do país.


A premiação foi realizada noite do último (30) em São Paulo. A professora de 38 anos, trabalha na escola indígena Sertanista Francisco Meireles, localizada na aldeia Suruí da linha 12, a cerca de 60 km de Cacoal, e desenvolveu um projeto para preservar a língua e a escrita do povo Paiter Suruí.


“Ainda não caiu a ficha, mas foi muito emocionante, pois o prêmio estava muito disputado com projetos excelentes apresentados por professores premiados também no prêmio Educador Nota Dez, cada um dentro da diversidade dele, e conquistar o prêmio de Educador do Ano foi uma honra muito grande”, destaca Elisângela.


A professora acredita que o destaque do projeto nacionalmente deve despertar um maior engajamento da sociedade e do setor em relação ao avanço da educação indígena no país.
“A nossa intenção quando realizamos o projeto é que o caderno de apoio a escrita Paiter Suruí possa ser utilizado por todas as outras escolas Suruí. Também é um momento para que o governo possa olhar para ajudar os professores de comunidades tradicionais a construir o material didático deles, pois a educação com a língua materna das crianças é uma forma de manter a identidade de cada povo”, revela.

Elisângela revela que agora o desafio dela como educadora é trabalhar junto com os estudantes, professores e comunidade para aprimorar o projeto. “Não podemos nos acomodar, é preciso continuar trabalhando em conjunto para encontrar uma forma de manter o projeto em funcionamento e com novas ferramentas”, aponta.

Projeto vencedor

Elisângela confeccionou um livro utilizando figuras da realidade indígena e linguagem de sinais, para ajudar no aprendizado dos alunos. Com a ideia, a professora se inscreveu no prêmio Educador nota Dez, onde foi vencedora. A educadora conta que sentiu a necessidade de elaborar um material didático próprio, pois seus alunos falam a língua materna, Paiter Suruí e a língua portuguesa. Mas quando saiam de dentro das comunidades para iniciar os estudos, tinham dificuldades, pois existem poucos materiais da língua materna disponíveis.


Elisângela Suruí confeccionou um livro utilizando figuras da realidade indígena e linguagem de sinais. (Foto: Rede Amazônica/Reprodução) Elisângela Suruí confeccionou um livro utilizando figuras da realidade indígena e linguagem de sinais. Elisângela Suruí confeccionou um livro utilizando figuras da realidade indígena e linguagem de sinais.  

“Quando comecei a trabalhar com os alunos do 1º ao 5º ano percebi que eles tinham poucos materiais escritos na linguagem deles. E quando a criança sai da comunidade e vem para a escola, eles têm a necessidade de aprender a língua materna, já que essa é a primeira forma de linguagem que é apresentada a eles dentro das comunidades indigenas”, explica.


O projeto de Elisângela foi batizado de "Mamug Koe Ixo Tig" e significa "A fala e a escrita da criança". Ele incluiu a elaboração de um material didático próprio em Paiter Suruí para os 15 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, que estudam todos na mesma sala multisseriada. No total, a escola tem 33 alunos e é uma de dez escolas localizadas na terra indígena dos Suruí em Rondônia, que tem cerca de 1.800 habitantes.

Selecionada entre 5 mil inscrições

Em sua 20ª edição, o Prêmio Educador Nota 10 bateu recorde e recebeu 5.006 inscrições. Os 50 finalistas receberam uma assinatura de um ano do site Nova Escola Clube. Além disso, os dez vencedores, que tiveram seus nomes divulgados em agosto, receberam a mesma assinatura e um vale-presente de R$ 15 mil. A escola deles também recebeu um vale-presente no valor de R$ 1 mil.

Da Redação 
Rogério Aderbal

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