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07/05/2018

Indígena defende dissertação de mestrado sobre povo Paiter Suruí dentro de aldeia em Cacoal

Defesa foi realizada na aldeia indígena Wagopakoh. Gamalonô é o primeiro indígena da Região Norte a concluir a pós-graduação baseada na educação e cultura do povo Paiter Suruí.

Um professor de Cacoal (RO), município a 480 quilômetros de Porto Velho, defendeu nesta semana a dissertação de mestrado na área da educação, se tornando o primeiro indígena da Região Norte a concluir a pós-graduação baseada na educação e cultura do povo Paiter Suruí. A defesa foi realizada na Escola Izidoro de Sousa Meireles, na aldeia Paiter na linha 9. Gamalonô Suruí teve amigos, familiares e alunos na plateia acompanhando a apresentação.

Indígena defende dissertação de mestrado sobre povo Paiter Suruí dentro de aldeia em Cacoal

Gamalonô é professor há 15 anos. Ele se formou em Letras pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), no campus de Ji-Paraná (RO). Após começar a lecionar, passou a sonhar em ampliar seus conhecimentos, e foi aceito no programa de mestrado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

“A minha linha de pesquisa foi voltada para a educação indígena, com o tema: Educação escolar indígena por meio de projetos. Escolhi esse tema pois sou professor estadual e trabalho com a cultura do meu povo e língua materna Paiter. Como esses temas caminham juntos, no meu trabalho eu abordei a linguagem, a cultura e toda a memória do povo Suruí”, explicou Gamalonô.

A defesa da dissertação foi feita na língua materna, o Paiter. Para concluir o trabalho, Gamalonô se dedicou 1 ano e 8 meses na elaboração da pesquisa, o que lhe garantiu o título não só de mestre, mas também o de primeiro indígena da Região Norte a defender uma dissertação de mestrado voltada para a educação e cultura indígena do Povo Paiter.

“Eu sou o primeiro professor indígena da etnia Paiter que defendeu um trabalho dentro da cultura do povo. Hoje nós temos escolas dentro das comunidades indígenas e isso é muito importante, mas nós professores indígenas temos que saber atuar, pois ela [a educação] pode ser uma arma, ou funcionar como um resgate da nossa cultura”, contou o mestre, emocionado.

Para realizar a pesquisa, o indígena contou com a orientação do professor Roberto Linhares Matos, que viajou do Rio de Janeiro para o interior de Rondônia para ajudar compor a banca. Segundo o professor, as experiências obtidas com o mestrado servirão para que Gamalonô mostre a importância da valorização da cultura durante as aulas.

“O trabalho do Gamalonô teve um diferencial, pois foi feito por um indígena focando na própria cultura. Esse tema foi idealizado por ele. Agora ele vai utilizar essa pesquisa nas atividades dele em sala de aula, na valorização da cultura, etnia e educação escolar indígena”, disse o orientador.

A ideia de Gamalonô agora é dar continuidade aos estudos, com o doutorado, aprofundando a pesquisa que iniciou com o mestrado.

Da Redação 
Clube FM 90.3
Magda Oliveira, G1 Cacoal e Zona da Mata

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