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31/05/2018

Ninguém mais sabe quanto vale a Petrobras!

A greve dos caminhoneiros e o vaivém do governo fizeram com que o valor justo da maior estatal do país dependesse mais de Brasília do que de dados objetivos. Decisões políticas fazem a empresa ganhar ou perder 30 bilhões de reais como num passe de mágica / Dado Galdier/Getty Images (/)

Na sexta-feira 25 a Petrobras perdeu pouco mais de 30 bilhões de reais de valor de mercado; na terça-feira 29, por sua vez, ganhou pouco mais de 30 bilhões, só para perder outros 5 bilhões na quarta-feira 30. Entre idas e vindas, a companhia perdeu 120 bilhões de reais nas últimas duas semanas, passando a valer 268 bilhões.

É tanta volatilidade que analistas de mercado, acostumados a escrutinar todas as variáveis que podem definir o valor justo de companhias abertas chegaram a uma decisão tão transparente quanto simbólica nos últimos dias: não dá para calcular o valor de mercado da maior estatal do país.

Ninguém mais sabe quanto vale a Petrobras!

O motivo da alta octanagem na bolsa todo mundo sabe: a greve dos caminhoneiros trouxe incertezas sobre a forma como a Petrobras calcula os preços de seus combustíveis. O governo prometeu subsidiar a companhia para que dê descontos artificiais de 46 centavos por litro no preço final do diesel. Até 10 dias atrás, uma política de preços baseada na cotação internacional do petróleo e na taxa de câmbio devolveu aos investidores confiança na gestão da empresa comandada por Pedro Parente.

Em paralelo, uma alta de 60% no preço internacional do petróleo ajudou a estatal a recuperar margens e receita. O resultado foi a Petrobras quintuplicar em dois anos seu valor de mercado e voltar ao posto de maior empresa do país, valendo quase 400 bilhões de reais. O problema, como ficou claro nos últimos dias, é que para calcular o valor de uma empresa estatal os fundamentos financeiros não são suficientes.

“O preço da Petro que a gente via há duas semanas não era só resultado da gestão Parente. A ação tava em alta também por conta do preço do petróleo. O preço da ações leva em conta diversas variáveis e o mercado está tentando acessar todas as possibilidades para chegar a um preço justo”, Luiz Carvalho, analista do banco UBS.

Em relatório publicado nesta quinta-feira o Itaú BBA afirma que as incertezas sobre a empresa continuam levadas, e não há perspectivas claras sobre como os eventos futuros irão transcorrer, sobretudo sobre a política de preços.

“São as decisões políticas que sinalizam aos investidores se eles devem analisar a realidade econômica ou não. E isso acabou nos últimos dias, o que fez com que as ações da empresa sejam negociadas como num cassino”, diz Oscar Malvessi, professor de finanças e especialista em avaliação de balanços da FGV-Eaesp.

Entre a valorização motivada por boa gestão e bom momento do mercado e a queda recente, a Petrobras continua com resultados em bolsa melhores que as grandes petroleiras internacionais. Mas os gráficos comparativos mostram que a empresa entrou numa espiral negativa justamente num ótimo momento para as petroleiras internacionais.

O cenário dos próximos dias continua imprevisível. Na noite desta terça-feira o presidente Michel Temer afirmou à TV Brasil que o governo pode vir a reexaminar a política de preços da Petrobras, mas “com muito cuidado”. É o tipo de comentário que não ajuda em nada a dar previsibilidade aos negócios (o governo soltou nota nesta quarta-feira reiterando que manterá a política de preços da companhia).

Para piorar, petroleiros iniciaram hoje uma greve geral de 24 horas que pede a mudança na política de preços e a saída de Pedro Parente. Não devem conseguir nem uma coisa nem outra, tampouco afetar os negócios da companhia. Mas é um sinal de que eventos inesperados continuarão no radar. Para o desespero dos analistas, e para a felicidade dos jogadores do cassino Brasil.


Da Redação

 Lucas Amorim

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